Em 2026 eu me formei no ensino médio pela Clonlara, leia sobre a minha jornada de graduação.

Durante a minha vida eu não frequentei nenhuma escola tradicional, passei o período do ensino fundamental aprendendo em casa, com a vida. Chegando aos quinze anos mais ou menos, senti uma genuína falta de um direcionamento para os meus estudos, eu já tinha um gosto natural por aprendizado e meus dias eram repletos de curiosidades e arte, mas eu precisava de um certo sentido para tudo aquilo. Assim, conheci a Clonlara, entregando exatamente o que eu precisava, liberdade com direcionamento.
Não dá pra negar que muito mudou quando eu comecei a estudar com a Clonlara, de repente não era só ir fazendo as coisas sem rumo, mas sim planejar estudos. No primeiro semestre eu precisei desenvolver uma nova habilidade, organizar e planejar projetos, claro que não foi simples assim, no começo tudo era uma bagunça, mas os projetos começaram a nascer. O primeiro ano de Clonlara passou voando, porque junto nesse mesmo ano eu concretizei o meu orgulho pessoal, meu projeto de maior complexidade: a produção completa do filme Quase Tão Letal Quanto Uma Torta de Limão


Foi um projeto de aproximadamente um ano e meio, eu nunca tinha sonhado com algo tão grandioso. Eu e duas amigas, adolescentes de 15 anos fazendo um filme, essa era a ideia dos sonhos. O projeto me colocou em diversas situações que me levaram para um lado e para o outro, me tiraram de zonas de conforto e me obrigaram a descobrir novas habilidades. O planejamento do projeto (considerando que foi feito por uma adolescente de 15 anos) foi perfeito, escrevemos um roteiro, montamos uma proposta, arrecadamos dinheiro para os equipamentos e produção e enfim gravamos. As filmagens foram aquela experiência inesquecível e levemente caótica, adolescentes sem experiência nenhuma se jogaram em um projeto louco simplesmente pela experiência. Foi muito aprendizado, estudo, curso, pesquisa para que a gente conseguisse aquelas gravações. Me vi na possibilidade incrível de experimentar diversas funções no projeto, escritora e produtora no começo, diretora, cinegrafista e atriz durante a produção, e enfim peguei o desafio de verdade: edição. O final do projeto foi aquelas malditas conclusões arrastadas de detalhes, aprendi como editar usando Adobe tudo do zero, trabalhei em cima de centenas de arquivos de vídeo e ainda tirei um coelho da cartola no final, criando um design de um poster para o filme. O projeto se finalizou da forma mais satisfatória, uma estreia na casa em que foi gravada, entre amigos e familiares que acompanharam tudo desde o começo. Quase um ano após o começo do projeto, ainda inscrevemos o filme em um festival de cinema, participamos de um bate papo profissional e concluímos com muita classe meu projeto mais querido.

Em meio ao caos do projeto que mais paralisou minha vida, os estudos paralelos seguiam fortes. Aos poucos eu fui entendendo o funcionamento de estudar a base de prazos e trabalhando com os direcionamentos da Clonlara. Criei projetos de matemática, portugues e ciência, a cada ano eu fui conseguindo mais confiança para aplicar criatividade e arte dentro dessas matérias.
Os projetos criativos e que envolviam resultados visuais eram os que mais me agradavam. Um dos meus favoritos foi o desenvolvimento e criação de um Mapa do meu bairro, estudando geografia, cartografia e arte. Em ciência os mais interessantes foram os que envolviam fotografia, física por trás da câmera fotográfica e química por trás da cianotipia que se resultou em um vídeo, dois projetos que foram feitos com muito interesse e com resultados que me agradaram. Dentro da ciência também realizei um estudo de biologia, criando um esqueleto detalhado de argila, para estudar o funcionamento do corpo humano para anatomia artística.
Além dos projetos independentes, preenchi meu cotidiano com muitas aulas. A aula de Artes eram as principais e mais amadas, com uma professora incrivelmente dedicada eu fui evoluindo nos meus desenhos e pinturas com uma confiança e criatividade que eu nem sonhava. As aulas de tecido acrobático como Educação fisíca também fazem parte da minha vida a muitos anos, é uma atividade física que sempre funcionou muito mais como artística para mim, trabalhando o corpo inteiro de forma lúdica. O tecido acrobático me ajudou muito a desenvolver disciplina e consciência corporal, sempre se concretizando em apresentações anuais. No ano passado eu descobri a minha mais nova paixão, o Teatro, preencheu minha vida com pessoas e muita expressão, foi um achado essencial para minha vida. A aula de teatro atingiu pontos de coragem e presença em mim que puxou minha atenção de um jeito que esse ano já consegui um papel devidamente importante na peça do ano, é uma prática desafiadora e muito significativa para mim.
Galeria de arte


A Clonlara também me ofereceu outras experiências que foram muito importantes para minha vida, uma delas foi o trabalho voluntário, trabalhei em eventos geek e fui ajudante em aulas de Tarot, sem essa proposta da escola eu dificilmente teria tido essas experiências que me resultaram em aprendizados e contatos. Nos meus primeiros anos de ensino médio eu também tive o apoio dos clubes da Clonlara, principalmente o de literatura, os clubes eram um espaço de troca e conversa que me ajudaram muito no primeiro ano.
O ensino médio na Clonlara deixou comigo uma base de confiança e criatividade que resultou este ano em uma nova proposta de filme, decidido então como meu projeto capstone. Depois de todas essas experiências, meu instinto foi criar ambientes de maior liberdade criativa possível, o projeto do filme Âmago vai ser esse ambiente, podendo explorar ideias absurdas e conceitos diversos.
Foram três anos de muita arte, pequenos surtos, aprendizados ao extremo e muitas experiências. Espero poder seguir com as metodologias aprendidas na Clonlara e a criatividade afiada. Por muitos projetos e arte nos próximos anos!





















