
Antropofagia é especificamente o ato de canibalismo entre humanos por razões religiosas ou sociais. O termo antropofagia se tornou mais popular com o uso metafórico usado para falar sobre questões sociais e culturais, no brasil ficou conhecido através do movimento antropofágico por Oswald de Andrade em 1928, oficialmente conhecido como Manifesto Antropofágico e propunha que o brasil consumisse cultura estrangeira e transformasse em uma identidade artística genuinamente nacional. Na modernidade o canibalismo e a antropofagia é muitas vezes usado como metáfora para o amor romântico, trazendo discussões sobre desejos e medos da atualidade, expandindo um mundo de explicações psicanalíticas e inspirando muita arte, inclusive essa proposta de filme.
O história do filme Âmago conta sobre uma jovem no brasil, estudante de arte e escrevendo um trabalho de iniciação científica sobre a semana de arte moderna de 1922 e o movimento antropofágico, lida com a convivência da esquizofrenia em seu cotidiano, em meio a sua vida silenciosa e introspectiva. Seus dias começam a mudar quando se aproxima de uma outra jovem estudante, elas contornam assuntos de diferentes formas de amor, cultivam essa paixão até a protagonista ter que lidar com a própria mente. Em meio ao romance e os estudos, ela começa a ser consumida pela visita ilusória de um filósofo que ela já conhecia, Marquês de Sade invade o cotidiano esquizofrênico da personagem, ela se vê sem querer em diálogos e discussões com um personagem da própria mente. A soma de seus recentes sentimentos e a nova presença irreal resultam em questionamentos intensos sobre suas crenças e desejos, perdendo o fluxo e controle da vida. Nesse ponto da história, uma nova figura surge, Georges Bataille, os estudos da protagonista sobre esse filósofo a levam ao questionamento final: Bataille a questiona se a antropofagia por trás das Eucaristia não seria a justificativa que faltava para suas dúvidas sobre a moral e a ética deste ato absurdo que atormenta seus sonhos. Ele entrega a conclusão de que os limites existem para que exista o prazer de ser ultrapassado, a protagonista então se vê obrigada a encarar suas ilusões e desejos, chegando assim ao ápice e final da história.
A princípio a proposta do projeto é criar um ambiente que possibilite concretizar ideias talvez absurdas, estudar conceitos que enriquecem enredos e ter uma liberdade criativa de explorar discussões, ética e temas ambíguos. Com essa ideia o filme nasce, em uma vontade genuína de ilustrar ideias.
O objetivo é que seja um filme artístico, o tema e enredo nos possibilita explorar uma identidade visual única e com pouco limite. A ideia inicial é um visual marcante e moderno, mas também intimista, cores quentes e quase irreais com uma cor de destaque, uma tipografia marcante e confiante, enquadramentos e takes criativos e intencionais. Apesar disso, o filme conversa muito com psicanálise e filosofia de uma visão de jovens adultos recém formados (eu e minha equipe), então trabalha ideias culturais muito cruas e sem nenhum interesse em agradar algum público ou se limitar por querer fazer um conteúdo popular. O projeto é simplesmente uma oportunidade de colocar ideias em prática e estudar conceitos e ideias.